domingo, 25 de abril de 2010

Expressões populares I


Assim como outras vezes, depois de uma conversa resolvi escrever sobre o assunto: Expressões populares. É uma coisa que sempre me chama atenção. Existem pessoas que fazem questão de mostrar que usam a forma correta,  mas a maioria usa de forma “errada”. Não sou tão ousada e também não sou muito de usar frases feitas. Além de ousada, acho que a pessoa precisa ter propriedade também pra fazer o uso das expressões (o que é só um ponto de vista). O que me trouxe até aqui foi a seguinte expressão: “cor de burro quando foge”. Um amigo falou isso numa conversa, achei engraçado o contexto em que ele usou e perguntei como é cor de burro quando foge, ele falou que não sabia, só sabia que era assim. Claro, são expressões populares que se aprende de maneira bem informal, e como “quem conta um conto aumenta um ponto”, como numa brincadeira de telefone sem fio, as expressões acabam sofrendo modificações drásticas, e às vezes acabam modificando o sentindo também.

E foi assim que “corro de burro quando foge” virou “cor de burro quando foge”. E quem nunca disse “batatinha quando nasce esparrama pelo chão”? Pois é, e quando iríamos imaginar que o correto é “batatinha quando nasce espalha a rama pelo chão”?

A expressão “Quem não tem cão, caça com gato”, é outra que ouço “desde que me entendo por gente”, e já cheguei até a usá-la algumas poucas vezes no lugar de “quem não tem cão caça como gato”. É interessante que, quem usa a primeira forma sugere a troca/ substituição, já a segunda não. Pois quem não tem cão, caça sozinho. Da mesma forma, “quem tem boca VAIA Roma” (se refere aos tempos em que Roma era governada por Júlio César.)

Mas ao mesmo tempo, numa perspectiva lingüista, penso que é só besteira se preocupar em definir o certo ou errado dessas expressões, afinal “a mudança é a lei da vida”. E assim como “vamos em boa hora” virou “vamos embora”, ou melhor “borá/bó”, por quê as expressões não podem, também, sofrer modificações e adquirir um novo sentido? Mesmo porque, quem garante que as modificações não foram propositais/ trocadilhos?

Ora, se até a linguagem formal sofre constantes modificações, até perder tremas, ganhar acentos, assim de uma hora pra outra, com as expressões populares não é diferente. Além disso, o estudo que se tem de suas origens ainda são escassos ou pouco divulgados.

Por isso, vamos “enfiar o pé na jaca”, já que não tem como “enfiar o pé no jacá”, afinal a gente nem vê mais esses cestos que tropeiros carregavam mercadoria em burros. E de que adianta usar as frases originárias se ninguém vai “entender patavina”? Em tempos em que o importante é a comunicação quem vai usar “esculpido em Carrara”, enquanto fica mais fácil entender “cuspido e escarrado”, se bem que “esculpido e encarnado” faz mais sentido no caso de semelhança entre parentes, por exemplo. Enfim, usemos o que melhor nos convier!

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