quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um domingo de Marina

Era um domingo de manhã. Depois de uma semana de trabalho, um sábado corrido e apenas um domingo pra descansar, ainda tinha casa para arrumar, roupa para lavar; nada muito comum a uma jovem de 23 anos. Desde que Marina decidiu morar só e longe da familia, nunca mais saíra um domingo e para completar, terminou o namoro há duas semanas. O namorado que vivia sem tempo para ela, foi flagrado com uma coroa.
Num interior distante, longe dos melhores amigos, a difícil missão de suportar, além da semana inteira, mais o domingo, aquela carente e chata colega de trabalho que passara no mesmo concurso. Quase todo domingo era a mesma coisa, ela não acertava outro numero, era pra Marina que ligava e o monólogo começava. Falava sobre casa, sobre pratos, comida, sobre tintura para cabelos, sobre esmaltes, perfumes. Falava as besteiras das quais Marina não compartilhava. Falava sobre os presentes do namorado e momentos românticos, nada do que uma pessoa que acaba de terminar o namoro precisa ouvir. E ela só ouvia, vez ou outra soltava um “hum... certo” ou um risinho forçado que saia de uma expressão nada risonha. Ora ou outra ela pede uma opinião do tipo “você acha que eu devo ir de rosa ou amarelo?” e quando Marina finalmente soltava um “olha...” ELA interrompia, e a própria respondia com muitos argumentos. Mas sempre tinha uma escapatória para Marina, ou era o cachorro que se soltava, ou tinha que ir ver a comida, ou tinha alguém batendo à porta. Nessas horas, qualquer “crente” chato batendo à porta tentando convencê-la de ir à sessão de descarrego ou tentando expulsar o demônio da casa dela, era inventado para que aquele monólogo de 20 minutos que já parecia durar uma hora terminasse ali. Pronto, agora ela podia terminar os serviços domésticos, mais tranqüila e melancólica ao som de Legião Urbana. Lembrando sempre da família, dos amigos, dos bons tempos, conseguia fazer tudo até o meio-dia. Antes de almoçar, ainda tinha uma obrigação a cumprir, o almoço do cachorro. Pereba como sempre abanando o rabo, e lambendo sua dona. Dela um sorriso, uma brincadeira rápida antes de colocar água e pronto. A tarde já não tinha muito que fazer. Dar banho no Pereba, deixá-lo cheirosinho pro passeio das 18 é antes um hobby. Pra noite, um milk shake com batatas fritas tava de bom tamanho. À noite, enquanto pereba assistia ao filme de luta, Marina dormia em cima do seu livro predileto que lia pela qüinquagésima vez, Pollyana. O celular ao lado, já estava programado para despertar nos próximos sete dias.




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