quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Segredo

Uma parte do chão desabava, e só sobrou aquele pedaço por onde seus pés estavam  apoiados, ela tinha que se segurar alí, ficar parada, não se mover, qualquer respiração forte a faria cair. Quis se desesperar, algumas lágrimas caíram devagar. Acalmou-se, pensou, nada podia fazer. Há momentos em que não se pode fazer nada mesmo, o que resta é esperar. Mas e aí? Ela esperaria o que? Aquele pedaço cair e desabar junto? Não havia nada nem ninguém que pudesse ajudá-la, não falava nada e seus pensamentos ecoavam, nada e nem ninguém poderia tirá-la dalí? Desespero por desespero, não a levaria para um lugar seguro. Ela não podia fazer absolutamente nada. Se fosse pra cair no meio do nada, então seria. Fechou os olhos e começou a pensar em coisas boas, sumiria feliz. No meio daquela escuridão vieram à mente belas paisagens, cheiro de arvores, um rio, um lago, pedras lindas, uma cabana de palha acolhedora. Mas aquilo estava muito solitário e de solidão bastava a dela. Então, da cabana saíram algumas pessoas, falando, rindo, crianças brincando. Na cabana, algumas redes estendidas, do outro lado um jardim florido, a coisa mais linda se ver alí com todas aquelas pessoas, rindo, conversando, eram as pessoas da sua família, tios, primos, avós, pais, irmãos. Era lindo, mergulhou naquele cenário esquecendo do estava diante dos seus olhos fechados, estava feliz e, sem querer seu corpo começou a se mover, junto com seus pensamentos. Um susto, seus olhos abriram e percebeu que o chão crescera, seu espaço aumentava e se reconstruía a cada passo que ela dava. Felicidade dela, o segredo era seguir. E a chave para o segredo era o pensamento, o segredo estava dentro de si.  

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