Acendo um cigarro, até a
varanda, preciso dar uma ultima tragada, pra pensar com menos peso em tudo o
que tem acontecido. Engulo e tendo queimar essa agonia que está me queimando
por dentro, esse meu medo do que possa acontecer. Não sei exatamente o que se
passa, mas sei que as coisas não estão bem. E tento conserta-las do
jeito que sei, mas parece não funcionar. Se eu ao menos soubesse o que se passa
nos planos das ideias. Tenho que deixar as coisas cozinhando. Enquanto cozinham,
me queimam e acaba o meu cigarro. Pequeno demais para fazer tudo passar, pois
quanto mais penso mais palpito. Preciso queimar mais um. Todas as coisas que
não foram ditas, toda conversa que faltou. Eu me sinto uma estranha. E me
incomoda não poder me sentir a vontade. Tenho tanto a dizer, e há tanto que
queria ouvir. O meu cigarro pode me escutar. Mas nada pode me responder. Ele me
queima, eu o queimo e acabo com ele primeiro. Sinto que mais um me fará
relaxar. Acendo mais um, vou queimando devagar, respirando devagar. A pressão
vai cedendo. Afinal, não há muito a fazer, só esperar. Deixar rolar... deixar
queimar. Chega ao meio, já me sinto satisfeita. Deixo-me tragar, vou
ficando leve, um pouco menos tensa. Vou levando como um “nem lá”... deixa
rolar. Vou curtir minha leveza porque uma hora a tensão vai voltar.
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