Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões
sábado, 27 de dezembro de 2014
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
"...Esperarei que ele cante"
Tempo, senhor que rege a vida, e o que existe depois da vida. Senhor a ser obedecido, se não compreendido, respeitado. Se o tempo não é favorável, aceitar suas imposições traz menos dor. Não há corrida que o vença. É essa coisa indestrutível, e o ideal é se adaptar,e continuar a plantar. Jamais parar, quem para no tempo não vive... A sabedoria permite entender quando é tempo de parar. Contra ele ninguem pode, e se levado em consideração... tudo pode vingar. Bastando saber que a natureza trabalha em intervalos de estações, o que hoje plantamos terá tempo certo para colher, e é favorável aproveitar o que ele nos permite usufruir. O que é bom, o que é mau, somos pequenos pra entender, e o grande mestre um dia nos traz compreensão. Hoje o tempo me ensinou que ser feliz, não é estar bem a todo tempo, ou viver como num mar de rosas, mas compreender o que cada tempo tem pra ensinar. E se quase nada vai a contento, contente-se com o que lhe contenta. E que o contentamento nunca traga paralisia, porque se não posso forçar o roxinol a cantar, não desistirei de ouvi-lo, mas "esperarei ate que ele cante".
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Um "carpe diem"
A vida é assim mesmo... quer
chorar? Chora, mas não se esqueça de erguer a cabeça e continuar. Dias bons,
dias ruins. Dias maravilhosos sempre vem. Amigos e amores. A vida é assim... o
que hoje faz sentindo, amanha nunca fez. A verdade existe, o que muda é a
perspectiva. As vezes só entendemos que o errado é errado quando colhemos as
consequencias. Feridores e feridas, amarguras e traumas... tudo passa quando há
vontade de viver. E o que seria dessa vida sem seus altos e baixos? Já consigo
amar todos os baixos, todas as minhas derrotas, cada lágrima; cada ferida faz
parte da minha história. Não lamento e não quero voltar atrás. Quero olhar pra
frente, abraçar o novo, sem apegos e sem frustrações. Tive tudo que precisei e
só tenho o que realmente preciso. Tenho o que é suficiente para me fazer feliz,
hoje ou futuramente. Aceito todos os amigos que a vida me deu e guardo com
carinho na lembrança todos que me emprestou. E só posso ter gratidão, por todo
aprendizado, por todo crescimento e tantos acréscimos que tive até hoje. Uma vida
de soma, que acolho e compreendo. E que me deixa a lição de que só o que vale é
aproveitar, cada ínfimo minuto, cada palavra, cada toque, cada pingo de agua,
porque cada momento é especial pelo simples fato de nunca mais se repetir, e
depois que passa já é tempo de viver o novo presente, e o único momento de
viver uma emoção é aqui e agora. Vamos apenas aproveitar, porque o amanha só cabe nos nossos planos, e a única certeza é agora.
sábado, 8 de março de 2014
Ela ama II
Ela o ama e só pode observar. E quem nunca amou e apenas observou... Quem nunca sentiu a angustia de não poder ter o ser amado? Um amor impossível, ou improvável. Um amor puro. Puro como ele, maduro como ele. Um amor que faz de tudo, mesmo sabendo que não vai dar em nada. Um amor que faz querer apenas amar. E teria ele outra? Ou melhor... teria ele, alguém? Talvez... uma pessoa tão maravilhosa não estaria só, esperando por ela, que o ama sem poder demonstrar. O que mais deve ter é mulher querendo ocupar essa vaga, e mulheres bonitas, inteligentes, poderosas, perigosas, ela sabe que não é páreo. Mas, qualquer olhar dele em direção a ela parece esperança. Um turbilhão de pensamentos a invade. Ela seria capaz de abrir mão de tudo pra fazê-lo feliz. Ele é, simplesmente, maravilhoso Apreenderia a cozinhar, a costurar, abriria mão de seus sonhos de grandeza por uma casinha de campo. Tiraria leite da vaca, conviveria com o cheiro de terra; com muitos livros na cabeceira da cama, com toda a bagunça que ele poderia fazer com livros, papeis e canetas. Ela daria a ele os filhos que, talvez, quisera ter. Juntos, poderiam viajar, ou ajudar crianças órfãs, ou fazer uma escola de musica, teatro e esporte para crianças e adolescentes de baixa renda. Juntos, poderiam ser felizes,ela daria de tudo para ve-lo feliz, porque bastaria a felicidade dele para que ela se sentisse feliz. Ela, definitivamente, ama!
segunda-feira, 3 de março de 2014
Meditação
E nada mudará enquanto eu não
mudar. Só temos o que precisamos, ou merecemos, ou querermos, ou atraímos. Eu
posso atrair os piores erros alheios e fazer com que eles se repitam, dependo de
mim. Ou eu posso escolher mudar isso. Eu
posso escolher as pessoas com quem me relacionar, sem precisar apontar ou
afastar ninguém. Eu posso escolher a correta atitude. Temos o poder sobre
mu
itas coisas, inclusive [principalmente] sobre nós mesmos. Eu tenho
pensamentos e frustrações que me fazem atrair sofrimentos e mais frustrações.
Um edifício não pode ser considerado forte se a primeira tempestade ele cai, ou
ameaça cair. Se qualquer escorregada você despedaça todos os seus ossos, então
não está apto a ter uma vida longa. Somente os que se mostram resistentes podem
chegar um pouco mais além. Do mesmo modo, não se pode deixar ser levado pelos
ventos, ou pela vida, ou as coisas ficam em vindas e idas sem sossego, e sem
felicidade verdadeira. Às vezes precisamos ser taxativos. Não dá pra esperar a
vida toda pela vida, pra que ela decida o que deve ser feito. Quando pouco
podemos fazer, ao menos o sentimento deve ser cultivado, ou exterminado. E
desta vez eu quero que seja assim, alguma coisa precisa mudar na minha
história, e agora eu quero muda-la. Eu decido atrair a decisão, a certeza, as
coisas boas, os sentimentos positivos. A dignidade, o amor, o respeito, a
solidariedade e a paz de espírito. E decido encontrar dentro de mim, tudo o que
preciso.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
...
E agora já foi. Arrepender? Pra que? Acho que ficamos piores ao envelhecer. E deixamos de acreditar que certas coisas possam melhorar. Acho que ficamos desacreditados e independentes. E o que mais buscavamos, a tal da segurança, nos deixa solitários. E isso agora pouca importa. Se o dia está quente, se está frio, a sobrevivencia está em viver um dia de cada vez, e dar um passo de cada vez. E aos poucos passa a ter menos importância o que pensam; nem por isso eu vá deixar de me importar com o que possa causar. Mas já me importa menos se mal me interpretaram, porque sei o que sou, o que faço e o que penso. A maturidade traz segurança, a segurança aprisiona. Mas se você não amadurece, fica preso a mesquinharia, a tristeza que cria e à própria solidão. E por mais chato que seja, aceito crescer. Sem saber onde vou chegar, traço o meu caminho; se me desvio, logo encontro o abismo e sei que é hora de voltar. Dinheiro... que sempre sirva pra trazer felicidade. Livre de toda ostentação,só quero poder ser mais livre, livre dos limites, das fronteiras que nos impedem de evoluir. Longe de querer magoar, só estou mais realista, as vezes mais aberta, outras mais no centro. A coerência é o que dá sentido a essa existência, em que nada parece fazer sentido...
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
E não temo
E de repente me vejo alheia
a tudo isso. Alheia a tudo que pode me prender, e me libero. Pra mim, pra vida.
Eu quero mais leveza, menos carga. Quero viver cada dia de cada vez. É como se
toda pressão tivesse se esvaído e assim...tão sem mais nem menos. Me sinto
mudar, me sinto diferente. É como se vomitasse todo aquele bolo de porcarias
preso em meu estômago e agora pudesse voar um pouco mais. E nada mudou, mas sinto
algo diferente. E já presumo onde isso possa me levar... Onde todo desprendimento
pode levar. Solidão, talvez. Novas experiências. E não temo. Pela primeira vez
me sinto diferente e não temo o que posso perder. Nada podemos perder porque nada temos, acho que entendi isso. E eu não temo. Eu quero dançar um reggae e rastejar no céu. Com os pés no chão, entender que a vida pode ser melhor. E agora aconteça o que acontecer... eu só temo o que possa fazer, e mesmo assim deixo fluir, não temo.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Me resta fé
Quando a revolta dá lugar ao
medo. Quando a insatisfação te faz buscar um caminho individual, quando os
objetivos não são mais tão coletivos. E não importa o que você consiga de bom,
se não for o que realmente quer, não vai estar bom. Quando você silencia porque
ninguém nunca vai pensar igual a você. Quando assiste a tudo bestificado com a
besteira coletiva. Quando se conforma com os extremismos, 8 ou 80, com a falta
de inteligência de se encontrar o meio termo. Quando pasmo porque a falta de
visão crítica os deixa cegos, não conseguem refletir sobre o que é
aparentemente moderno, porque o excesso de visão crítica os deixa cegos. A minha
revolta, então, já não é a mesma. Só temos o que precisamos, ou merecemos. Somos
vítimas do mal que criamos e nunca é tarde para recriar, reinventar. A minha
revolta não é a mesma e já consigo ter paciência, esperar. Da verdade... só
Deus sabe. Quando todo esse desconforto toma conta da humanidade... me resta a fé, consigo orar.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Desconsiderar é não estar
nem aí pro que o outro fala ou sente
É não se importar,
minimamente, com o que acontece
É ignorar, é deixar de lado,
é não ter trabalho
Omitir-se é não assumir
responsabilidade
É ausentar a própria
contribuição
É anular a própria culpa
Afastar é desagradar ou
simplesmente não agradar
Fazer da sua ausência algo
imperceptível
Tornar-se inútil,
desnecessário.
O tempo passa e um dia
talvez não se tenha mais a chance de ser importante e necessário na vida de
alguém...
sábado, 23 de novembro de 2013
Um Estado de Alma
Uma vida de boa,
um passeio na sexta,
um domingo de praia,
uma boa garoa.
Uma viagem de aventura,
com a consciência tranquila
um momento a dois
uma conversa madura
Uma dança de salão
um balé, uma peça teatral
uma semana no campo
sem qualquer preocupação
Um estado de calma
Respeito e bondade
Uma vida de luta
Justiça e verdade
Alegria da Alma
domingo, 27 de outubro de 2013
E sobre a verdade...
E a consciência? Teria algo
a dizer? Talvez.... quem sabe... nada nessa vida é pra sempre, nem mesmo um
engano. Tudo que se faz tem uma razão, e não tente dizer que não há razão pro
mínimo que você faz. O mínimo pode ser o próximo avalanche. E aí não adianta
dizer que não tem culpa. Não adianta tentar achar um culpado. Só restará
reconhecer os próprios deslizes, iniciados por simples pensamentos que não teriam
importância alguma. Uma pena que tudo comece com o pensamento. Tudo que se
realiza parte de um pensamento inicial. E a sinceridade deve estar ancorada ao
pensamento, antes da ação, ao verdadeiro pensamento. Falar o que não pensa, ser o que não é. Um edifício
inteiro construído sobre um falso alicerce. A disputa entre o que se quer e o
que tem capacidade pra fazer. E no final das contas só restará a lembrança. Se não
há capacidade, não há realização, e tampouco satisfação. E se houver
realização, não haverá clima pra satisfação, por que no fundo não há verdade,
não há compromisso com o que se quer. Uma simples ação, pode fazer tudo ruir. E o que resta a fazer é se preparar pro
que de melhor virá. Por que para cada descida, uma subida. Para cada crise, uma
alavancada. E sobre a verdade só sabemos que faz sofrer o que não é verdade.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
E fico a pensar...
As vezes eu me pergunto se o fim está fadado ao
caos. Se as tendência da vida é piorar. Não que eu seja pessimista. É um
pensamento fruto de observações. Todos temos sonhos, todos temos ideais.
Traçamos os nossos planos e, muitas vezes, as coisas não ocorre como desejamos.
Apesar de ter todas as respostas, sempre me sobram perguntas. Como se essas
respostas não me fossem suficientes, simplesmente por não me resolverem os
problemas. E a vida parece seguir assim, como um seriado sem fim. Bons momentos,
seguidos de dificuldades, decepção, perdas, derrotas. A fé inabalável, às vezes,
é posta em suspensão. E o que seria de nós, o que seria de mim sem essa fé.
Tristeza, medo e solidão. Essa fé que me dá força, que me faz erguer e que me
faz seguir. E me faz ver que o mundo é maior, que a vida é bem mais. O que
exatamente... não sei. E mesmo assim ainda duvido. A vida é isso? Lutas,
batalhas, vitórias, derrotas, sofrimento, dor... encurraladas nos erros
alheios. Egoísmo... o quanto podemos cobrar do outro...e de nós mesmos? O
quanto somos? Quanto podemos? Seríamos evoluídos o suficiente para assumir e
encarar um erro? E quando envolve dinheiro, vale a pena pagar o preço do próprio
desconcerto? E a vida se resume a uma estrada de altos e baixos. Parece que
cada vez mais, baixos. Como uma novela que no início incita muita expectativa, e
a medida que vai passando vai ficando sem graça. E ao chegar ao final, a vida
acaba triste, com muitas lágrimas e lamentações. Que depois passam, e a vida
continua pra quem continua vivo, e um dia...acaba.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Um pouco menos e muito mais
Menos mentiras
Menos erros
Mais sinceridade
Menos falcatruas
Menos falsidades
Hoje eu quero menos
Menos hipocrisias
Menos exagero
Menos corrupção
Mais consideração
Menos superficialidade
Menos exposição
Agora quero menos peso
Menos razão
Mais pureza
Menos ingenuidade
Mais emoção
Menos críticas
Menos rótulos
Mais respeito
Menos ilusão
Mais cuidado
Mais cordialidade
Mais paixão
E muito mais amor de verdade
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Deixo queimar
Acendo um cigarro, até a
varanda, preciso dar uma ultima tragada, pra pensar com menos peso em tudo o
que tem acontecido. Engulo e tendo queimar essa agonia que está me queimando
por dentro, esse meu medo do que possa acontecer. Não sei exatamente o que se
passa, mas sei que as coisas não estão bem. E tento conserta-las do
jeito que sei, mas parece não funcionar. Se eu ao menos soubesse o que se passa
nos planos das ideias. Tenho que deixar as coisas cozinhando. Enquanto cozinham,
me queimam e acaba o meu cigarro. Pequeno demais para fazer tudo passar, pois
quanto mais penso mais palpito. Preciso queimar mais um. Todas as coisas que
não foram ditas, toda conversa que faltou. Eu me sinto uma estranha. E me
incomoda não poder me sentir a vontade. Tenho tanto a dizer, e há tanto que
queria ouvir. O meu cigarro pode me escutar. Mas nada pode me responder. Ele me
queima, eu o queimo e acabo com ele primeiro. Sinto que mais um me fará
relaxar. Acendo mais um, vou queimando devagar, respirando devagar. A pressão
vai cedendo. Afinal, não há muito a fazer, só esperar. Deixar rolar... deixar
queimar. Chega ao meio, já me sinto satisfeita. Deixo-me tragar, vou
ficando leve, um pouco menos tensa. Vou levando como um “nem lá”... deixa
rolar. Vou curtir minha leveza porque uma hora a tensão vai voltar.
Duvidas
É
tudo, estranhamente, estranho. E todos esses pensamentos de desconexão me perturbam. Parece que absolutamente nada faz sentido. E as vezes o melhor que
tenho a fazer é me isolar do mundo. Estranho. Estranha eu. De repente, alguns
excessos me abusam, e ao mesmo tempo a superficialidade me incomoda. E quero um
pouco mais de intensidade, de veracidade. Um pouco menos de palavras, menos do
outro. E não quero nada forçado. E, de repente, eu não sei exatamente o que
quero. Ou tudo que quero é minha vida dedicada ao trabalho, ao dinheiro e a uma
família, ou tudo que quero é uma vida simples, um emprego medíocre que não
pague bem, mas não exija muito de mim, de onde eu possa sair cedo e ter tempo
de passear com um cachorro. Uma vida simples que se resuma a filmes, livros e chá
em algum conjunto popular na Europa. Um amigo mais velho, com quem saio pra
tomar um sorvete, uma amiga senhora com quem sempre converse no metrô. O que
quero exatamente...não sei. Mas as vezes dá vontade de jogar tudo pro alto. Me pergunto
se estou no lugar certo... e se amo o que faço... ou se amo o que me planejo
para fazer, mas já não sei. São muitas dúvidas. Se tenho tempo, se terei respostas, ou se serei
feliz... só o tempo vai dizer.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
E me deixe em paz
Hoje eu quero brincar de ser
feliz. Assim mesmo do jeito que sou, como me sinto bem. Infantil ou não, de pés
descalços e livre de conceitos. Você fica aí, em silencio, não fala nada, não
interfira se não for dizer algo que acrescente, não entre, sem permissão, no meu território. Nem me peça pra entrar. Não diga nada se for me dar
algum alerta. Não quero ouvir conselhos, não hoje. Pode deixar que quando eu
perguntar você poderá dizer. Eu não quero sua opinião. Agora eu quero ser o que eu sou, e fazer o que
eu quiser. Fique com as suas experiências, com seus erros e me fale apenas se
quiser desabafar. Fique com seu bom exemplo e com sua vida perfeita, e aceite que eu
posso ser feliz do jeito que sou, não me diga como devo ser. Não quero suas falsas verdades. E faz mais um favor, não pronuncie meu
nome com a boca suja, não pense em mim antes de varrer a mente. Não precisa
assistir, só precisa me deixar ser feliz assim. E...mais uma coisa, me deixe em paz.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Desistir?
Frágil demais, parece que a
vida nada lhe ensinou, e do que viveu...nada apreendeu. Já madura e ainda não sabe
enfrentar os próprios medos. Nova demais pra saber entender que nem tudo pode
ser, mas não custa tentar. Nunca se sente preparada pra guerra, não entende que
o que prepara é a própria batalha. Quer desistir porque tem medo de não
conseguir, de ser desapontada mais uma vez. Quer desistir do que tanto deseja,
simplesmente porque tem medo de fracassar. Medos... medos e fracassos. E aquela
historia de tentar...só pra ver no que dá... talvez não tenha funcionado,
existe um espírito arrogante, ou amedrontado ou mesmo... enfraquecido, pouco “auto-estimado”
pra enfrentar uma próxima derrota. Porque mesmo com baixas possibilidades eu
quero a vitória, é insuportável a dor da derrota, não gosto de entrar num jogo
pra perder. Aprendi que se é pra lutar então devo ganhar. Tenho poucas armas,
estou com medo, não me sinto preparada e já quero desistir.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Cagando e andando
andam
dizendo coisas por aí
andam pensando coisas
dizem e projetam
explicam, deduzem
tiram conclusões
apontam, tentam desapontar
especulam
riducularizam
espalham mentiras
plantam discórdias
descobrem segredos
e falam demais
tem soluções para a vida
alheia
criam formulas para a vida
do vizinho
e vivem a bosta da própria vida
como um espelho
e apenas reflete a própria infelicidade
quando
insiste em refletir a historia distorcida do inimigo
quando
se ocupa em comentar e difamar
enquanto
o personagem principal apenas vive
cagando e andando pra tudo que
pensam, pra tudo o que dizem
terça-feira, 28 de maio de 2013
Me vi assim
Parei e olhei pra mim.
Vi o quanto cresci.
Me vi diferente,
sem crises,
sem dor aparente.
Aquele chororô,
aquele drama,
aquela seriedade...cadê?
Me vi como nunca fui,
me vi como realmente sou.
Me vi engraçada, doida,
divertida,
o que poucos terão a chance de ver...
Vi uma mulher
decidida, positiva, solidária, alegre e de bem
com vida
e lá eu me vi.
Como até fui uma vez na
vida.
Como achei que nunca voltaria a ser,
como os enganos jamais poderiam me
permitir viver.
Tudo na medida certa
E do jeito que tem que ser
De bem com meus limites,
Feliz com meus descasos
Olhei pra mim e me vi assim.
domingo, 26 de maio de 2013
Necrológio dos desiludidos do amor
Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.
Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos
seja no claro céu ou turvo inferno.
Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia.
Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados competentemente
(paixões de primeira e segunda classe).
Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.
Carlos Drumond de Andrade
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