Huuum... Ã? O quê? Não sei. Por quê?!
Onde? Por quê? Quando?
Quando, não sei
Porque ... Hum... Não sei.
Huum? Como? Huumm... é.
Não sei.
O que?! Por quê? De que?!
Não, porque não sei.
Como?! Ã? Foi?!
Oh, Por quê?
Por que?! Não sei... Talvez...
Tem certas coisas que não da pra entender mesmo. Como por exemplo, porque minha irmã perde sua noite de domingo assistindo ao programa Pânico na TV. Ô programinha sem graça! Sátiras mal feitas, ironias não alcançadas, preconceito declarado, contra pretos, feios, nordestinos, gordas, homossexuais e, não se salvaram os portadores de necessidades especiais. Sem falar dos quadros “nada a v”: um cara se mutilando, umas mulheres que saem peladas nas ruas , servindo única e exclusivamente de figura sexual. Na verdade, a mulher é a figura mais atacada, porque quando não é a “burra gostosa”, é a gorda, preta, desdentada, idosa (desrespeito total). E convenhamos, a única coisa que aquelas mulheres que trabalham alí têm é bunda e peito, com o perdão da expressão.
Pra mim, não tem sentimento pior que esse. Quase sempre tento reprimir a minha ira. Mas já vi que pode não ser uma boa opção. Cada vez que a prendo dentro de mim, ela fica guardada e vai se acumulando e se tornando cada vez mais freqüente, até que eu exploda de uma vez. E só então vem aquela sensação de cura da ira (é bom quando não vem a culpa depois). Às vezes, acabo explodindo por besteira, e tudo aquilo que precisava ser dito não foi feito em tempo. Na tentativa de amenizar os conflitos inflando esse nó dentro do peito, fico mais tensa e, logo fica fácil encontrar qualquer motivo para uma nova raiva. 
Ontem tive um sonho estranho. Sonhei que a ingenuidade me deixava só. A ilusão me deixava em paz e a solidão segura firmemente na minha mão. E chorava como criança sem mãe. Apareceu um estranho que ia me guiar a direção. Não temi, e agarrada à solidão, apenas segui. Ele também não se importava se eu estava com medo ou desconfiada, sabia que não havia escolha. Passamos por pedras, labirintos e ao chegar num deserto ele apenas olhou em meus olhos, como fizera da primeira vez, e sumiu, virou pó, fumaça, não sei ao certo. Pronto, agora éramos eu e a solidão, mais uma vez. Fiquei triste, já estava começando a me acostumar e a gostar daquele homem que nada dizia, que mal me olhava e que só caminhava, sem me esperar se resolvesse parar. Mas eu não podia cobrar mais do que aquilo que ele tinha sido pra mim; ele me guiou. Apareceu quando eu mais precisava e foi embora quando eu menos esperava. Mas continuei, eu reclamava, mas solidão não dizia nada, apenas um olhar pro horizonte, um pensamento distante. Seguíamos reto, acompanhando uns passos. A ingenuidade me pousou o ombro, já tava em tempo. O que me preocupava era que, para acompanhá-la, logo viria a ilusão. Pelo menos já não estaria sozinha com a solidão. Mas foi quando bateu uma ventania no deserto, e, “do nada” um trovão. Levei um susto, acordei. Era um raio que acabava de cair no começo da minha rua.